UMA OPORTUNIDADE DE INTERCÂMBIO PARA ALUNOS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI
- pessoaerica656
- 13 de jun. de 2022
- 7 min de leitura

A mobilidade acadêmica é um processo que possibilita ao discente, matriculado em uma Instituição de Ensino Superior (IES), a oportunidade de fazer intercâmbio para uma universidade estrangeira, onde ele pode estudar por um semestre ou até mesmo um ano letivo em um curso semelhante ao seu no Brasil. Normalmente, o processo de inserção do estudante é coordenado pela instituição de origem. Esse tipo de programa é uma das principais modalidades de cooperação internacional para efetivação do processo de internacionalização para alunos do ensino superior.
A Secretaria de Cooperação Internacional (SCI) da Universidade Federal do Cariri (UFCA), disponibiliza esse tipo de programa e divulgou recentemente o resultado de um novo processo seletivo para que estudantes de graduação estudem por um período em uma universidade lá fora. O aluno passa 6 meses cursando cadeiras do seu curso de graduação na Universidade do Porto, em Portugal. O objetivo do programa é promover a cooperação entre as universidades e contribuir para incrementar a qualidade da formação de estudantes de graduação e pós-graduação, através da mobilidade acadêmica.
Com isso, o programa garante o benefício da isenção das taxas acadêmicas, matrícula e mensalidades, conforme o acordo de cooperação entre a UFCA e a Universidade do Porto, mediante a disponibilidade de vagas com essa característica e consulta do candidato ao curso de destino na U.Porto. Além do benefício da isenção das taxas acadêmicas, o programa de mobilidade acadêmica permite enriquecer o currículo do aluno. Proporcionando o domínio de pelo menos uma língua estrangeira, a propensão desses alunos a serem mais sociáveis e ainda adquirirem inteligência cultural e visão de mundo, além de mais autonomia e responsabilidade.
Porém, nesse tipo de mobilidade acadêmica também existem desvantagens para o discente que possui baixa renda, pois o programa proporciona apenas a isenção das taxas de matrícula e mensalidade na universidade estrangeira. Então, o aluno precisa arcar com os custos de obtenção de passaporte e de visto, passagens aéreas, alojamento, alimentação e seguro-saúde. Desta maneira, recomenda-se fortemente que o aluno tenha seus próprios meios para se manter financeiramente no país onde ele fará o intercâmbio. Também existe uma demora maior na formação do estudante por conter algumas cadeiras diferentes das universidades do Brasil.
Mobilidade acadêmica é para todos?

Fizemos uma pesquisa entrevistando alguns alunos de cursos diversos da Universidade Federal do Cariri, para saber se eles estavam cientes da existência do programa de mobilidade acadêmica proporcionado pela universidade e como ele funcionava. A maior parte dos entrevistados diz que até conhecem o programa, mas apenas superficialmente.
Estudante do curso de Filosofia da UFCA, Cícero Norreverton afirma não ter visto muitas informações sobre o programa durante seu período na universidade. “Acho que posso ter ouvido falar por alto na faculdade. Mas não cheguei a ser informado sobre os por menores. Mas imaginei que existam poucas vagas.” afirma.
O programa é sim uma grande oportunidade para o discente e agrega bastante a vida acadêmica. Praticamente, não possui prejuízos para o aluno, pelo contrário. Questionado sobre os benefícios de fazer mobilidade acadêmica, o aluno que cursa o quarto semestre de Filosofia, diz que seria enriquecedor estar inserido em um país com outra cultura e repleto de oportunidades. “Conhecer outras culturas; treinar uma outra língua. Ter outras oportunidades. Estudar fora do país; sair um pouco da pressão que é ser brasileiro e do governo atual que mais parece ter sido criado na ditadura militar.”
Para o estudante de Administração da UFCA, Humberto Santos, o programa só enriqueceria seu currículo acadêmico. “Estudar em outro país é agregar valor ao ensino do estudante, pois a metodologia e o conteúdo abordado é diferente, trazendo ainda a experiência de vivenciar uma nova cultura, novos costumes e vivências, enriquecendo ainda mais o currículo do estudante.” conta o estudante.
Os alunos acreditam que o programa de mobilidade acadêmica é sim uma boa oportunidade para expandir seu conhecimento, mas infelizmente existem pequenos empecilhos, e mesmo com a ajuda da universidade, esse sonho se torna um pouco mais distante e impede a maior parte desses alunos de fazer um intercâmbio lá fora. A maior barreira é de fato a questão financeira. O aluno de Administração conta que mesmo com essa vontade de entrar no programa, a questão financeira do país como um todo o impede, ele também não se sente seguro em deixar seu emprego fixo aqui para entrar de cabeça em um intercâmbio.
“Infelizmente, enfrentamos um momento extremamente difícil no nosso país, ao qual nossa moeda tem um valor baixíssimo de câmbio em outros países. Principalmente para quem tem emprego fixo, onde tem medo de deixar um emprego estável, para poder se aventurar em novos desafios, ares. Há um medo de sair do seu meio, de deixar algo que você tem há anos, para poder se permitir fazer o intercâmbio.” disse o aluno.
No cenário econômico em que vivemos no Brasil, fica praticamente impossível para um aluno com baixa renda cursar uma universidade no exterior. A questão financeira tem um grande peso na decisão dos alunos em optar ou não por se candidatar tendo em mente que o programa de mobilidade acadêmica paga apenas as taxas acadêmicas.
“Morar em outro país é muito caro, ainda mais que a moeda da Europa o euro está cada vez mais elevado, dificultando ainda mais a participação desses alunos no intercâmbio.” ressalta Humberto.
Os alunos com baixa renda são de fato quem mais têm dificuldade para o acesso a esse programa, levando em consideração as taxas adicionais de se morar fora e que não são cobertas pelo programa de mobilidade acadêmica. O que só seria possível se o aluno tivesse um outro tipo de auxílio ou um emprego garantido no país de destino.
Alef Estevam, do segundo semestre de jornalismo da UFCA, acha que o programa de mobilidade acadêmica não é para todos e que as condições para o contemplado ao se candidatar para o programa não faz sentido e não é favorável para um aluno de baixa renda.
“Eu acho completamente sem lógica e de certa forma acho esse programa inútil, tendo em vista que atualmente muitos alunos não conseguem se manter nem na própria UFCA, mesmo com o auxílio do programa, então se torna praticamente impossível estando fora do país” afirma.
Etapas do processo e convênios
O programa de intercâmbio da UFCA envolve uma série de etapas, iniciando por buscar informações sobre os convênios que oferecem cursos na área do estudante, definição do tipo de programa e documentação, ao todo a universidade possui acordo com 11 instituições, na Argentina, França, Portugal, Romênia e México. O secretário de cooperação internacional e professor da Universidade Federal do Cariri, David Vernon Vieira foi entrevistado para tirar algumas dúvidas sobre o processo.

“Os acordos permitem pesquisas, publicações e outras colaborações conjuntas, além da mobilidade estudantil, os convênios isentam nossos alunos de taxas de matrículas e mensalidades. Também informamos sobre agências de fomento de vários países. Nas redes sociais mostramos os passos necessários para o intercâmbio e o site da universidade nas versões em inglês e espanhol. Realizamos aqui uma seleção para a escolha dos estudantes, após isso há outra seleção na universidade conveniada, nem sempre os alunos são aceitos, já que são poucas vagas e também há candidatos de outros países”.
Ele também comentou sobre a UFCA não cobrir despesas particulares do universitário no extrangeiro
“O aluno que não tem condições financeiras pode tentar uma mobilidade livre nas agências que oferecem bolsas e depois negociar com a coordenação do seu curso. Porém há algumas exigências que variam de cada instituição, algumas exigem proficiência, elas podem oferecer dinheiro para o período de estudos, então o estudante deve ficar atento aos editais que ele se encaixa”.
O professor criticou a desigualdade social que impede o maior alcance dos programas falando que realmente os custos são um problema, em média o discente terá que gastar cerca de 10 mil reais antes da viagem com passaporte, passagem e exame de proficiência. Infelizmente a universidade não tem recursos suficientes para as despesas pessoais dos intercambistas.
Como estamos em um país desigual, muitas famílias tem renda baixa e outras são privilegiadas, o correto é haver investimento na educação e igualdade de condições para realizar esse tipo de mobilidade, não podemos aprovar pessoas que não podem se manter no exterior e podemos até responder judicialmente por isso, o custo de vida, principalmente na Europa é alto comparado ao Brasil.
“ Porém oferecemos mobilidade dentro do Brasil. Os alunos podem se candidatar a uma vaga para outras universidades nacionais onde seja mais acessível e também consta como mobilidade acadêmica.”
Outra barreira é o idioma, para a aprovação final, o estudante é submetido a provas sobre o conhecimento linguístico.
“O básico é saber falar o idioma nativo do país, elas pedem um exame de proficiência, como o TOEFL, de inglês, o DELE, de espanhol,e o DELF, de francês, Goethe Zertifikat. Algumas casas de cultura oferecem cursos de idiomas para esse fim”.

A experiência de estudar fora
O estudante do curso de jornalismo Paulo Rossi, 24, fala um pouco sobre o que o motivou a fazer um intercâmbio
“sendo bem objetivo, eu queria viver a experiência, queria ter a oportunidade
de estudar fora, em uma outra universidade pra ver como é a realidade, como é
o conteúdo, o ensino, os métodos que são usados e queria muito a experiência
de mundo. conhecer outras pessoas, outras realidades, conhecer outras
estruturas e viver novas experiências”.
O processo de adaptação em uma nova vida e rotina diferente pode ser um
processo difícil, o Paulo Rossi explica como foi a sua adaptação de viver em
outro país:
“Foi bem estranho porque eu gosto muito de conversar com as pessoas, eu
sou muito comunicativo aqui na UFCA, e quando cheguei lá (Portugal), eu não
conhecia ninguém. os portugueses são um pouco “fechados” principalmente
com uma que chega lá do nada de paraquedas em uma turma que já existe. foi
difícil nesse sentido, fazer amizade com a turma”.
Viajar para outro país é um sonho de vários estudantes no Brasil que sonham
em mudar sua vida através dos estudos e conhecer outros lugares, pessoas e
cultura. o Paulo conta como foi a sua experiência no intercâmbio.
,
“é uma experiência incrível. acho que é uma experiência que todo mundo
deveria ter essa oportunidade porque muda muito a forma como você encara o
mundo, as pessoas, como você se vê. é um processo muito intenso. mas é
uma experiência incrível você poder conhecer uma outra cultura, você pode
sentir frio (frio que detestei), fazer amizade com outros brasileiros de outros
lugares do país (brasil), poder conhecer lugares que você só ver na televisão é
muito especial. mas, pra mim, teve muita coisa sobre pertencimento também
no sentido em que eu sentir muita saudade do cariri, do meu Ceará, do meu
Nordeste, mas senti muita saudade. então quando eu voltei, voltei muito
transformado. hoje vejo o cariri com outro olhar; um olhar mais afetivo e que
me sinto mais pertencente agora, do que me sentia antes.
Realizar um intercâmbio em outro país é um investimento caro, o Paulo fala
sobre o valor que gastou durante o seu intercâmbio em Portugal
“então, a minha mãe pagou tudo. naquela época (2019) o euro estava 4,50.
mas minha mãe investiu cerca de 25 mil reais, que seria o valor de um carro”.

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