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VIDA DE BOLSISTA

  • Foto do escritor: Capela de São Sebastião Barra Verde CE
    Capela de São Sebastião Barra Verde CE
  • 6 de jun. de 2022
  • 5 min de leitura

Um estudo detalhado das necessidades e dos desafios do bolsista na UFCA


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A Universidade Federal do Cariri (UFCA) atua em quatro principais frentes que acompanham os discentes por toda a sua trajetória acadêmica: ensino, pesquisa, extensão cultura. Estes canais são de grande importância para integrar as experiências e habilidades absorvidas pelos alunos e para que estes possam desenvolver novos conhecimentos juntos à Universidade. As pró-reitorias são as unidades responsáveis pela distribuição e processo seletivo das bolsas dentro da UFCA.


Dados dos últimos três anos mostraram que o número de bolsas ofertada na UFCA vêm decrescendo, mas a procura não. Os estudantes precisam da remuneração, principalmente em um período de inflação alta, com aumentos expressivos nos preços dos combustíveis e alimentos.


A taxa de inflação medida através do valor do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostra que o valor da bolsa, congelado desde o ano de 2013, quando já era de R$ 400. Se atualizado para o dia de fechamento desta matéria, deveria receber um reajuste de pelo menos 73,81%, o que na prática representa um aumento de quase R$ 300. O valor da bolsa, reajustado pela inflação, deveria ser de R$ 695,22. Como é sabido, a realidade do contexto atual não traz muitas alternativas ao bolsista a não ser aplicar grande parte de sua remuneração para fazer atividades essenciais da vida estudantil: alimentação. locomoção, compra de livros e equipamentos de estudo, investimento em cursos, viajar para eventos acadêmicos etc.



Bolsas congeladas há quase uma década

Yago Pontes, bolsista do projeto Observatório Cariri de Cultura, vinculado à Pró-Reitoria de Cultura (Procult/UFCA), queixa-se do valor da remuneração oferecida pela universidade, uma vez que desde 2013 não é feito um reajuste. Para o estudante, a realidade e as despesas só aumentaram nos últimos dez anos, tornando o valor da bolsa insuficiente para custear todos os gastos necessários. A sua queixa é a mesma de muitos outros bolsistas: o valor repassado pela Universidade, definido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), não condiz com a realidade do estudante que precisa pagar muitas contas, adquirir livros e equipamentos como celular, notebook, conexão à internet (por onde muitos alunos assistem aula e verificam e-mails). "Fica nítido o sucateamento com a universidade desde então”, afirma Yago que já está no oitavo semestre e nunca viu alteração no valor da bolsa desde que ingressou na UFCA.


Como confirma a pesquisa feita com 33 bolsistas da instituição, além do valor da bolsa ser muito baixo (se comparado ao que deveria ser de acordo com a atualização monetária), o mesmo ainda precisa ser sacrificado em diversas despesas da vida estudantil, o que exige uma maior organização por parte do aluno. “Essa organização financeira é praticamente uma necessidade. A gente tem gastos com transporte, com alimentação no RU [restaurante universitário], então é uma dificuldade se manter só com a bolsa", remarca Yago.


Importante momento na vida de bolsista é o que ele acessa a cultura e lazer, uma vez que muitas das produções acadêmicas surgem destas oportunidades que promovem interação do aluno com a cidade, com os museus e com a natureza. Da pesquisa, 100% afirmaram gastos com alimentação no refeitório universitário, e 90,9% afirmaram gastos com transporte, isso equivale a mais da metade da bolsa de R$ 400 somente com alimentação e transporte. Em momento de eventos culturais (66,7%) e lazer (42,4%) disseram que não frequentam ou não tem atividades sociais. Ainda que alguns eventos sejam gratuitos, muitos destes momentos representam um gasto extra na reserva financeira, em outras palavras, o bolsista é obrigado a economizar em certas despesas universitárias como alimentação e transporte para acessar cultura e lazer. Para Yago, apenas aqueles que possuem uma renda familiar mais estável conseguem ter esse acesso, uma vez que custeá-lo somente com o que recebe na bolsa seria impossível.


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Mudanças no valor das bolsas ainda não são uma realidade, uma vez que o repasse se dá de maneira indireta pela UFCA, cabendo à CAPES e ao CNPq fazer essa atualização. A adequação deveria seguir o salário mínimo a fim de que o bolsista receba um valor proporcionalmente mais justo. Com os diversos cortes sofridos pela educação, neste ano as bolsas durarão menos tempo que nos anos anteriores, sendo agora de oito meses apenas. Esta é também outra queixa dos bolsistas, que esperam passar o tempo das aulas com o auxílio financeiro das bolsas.



Diário de Bolsista: o trajeto até a universidade


Ailton Sinézio é bolsista do Observatório Cariri de Cultura, estudante do curso de Música da UFCA, e diariamente precisa se deslocar de sua casa, no bairro Salesianos, para chegar à universidade, que fica na Cidade Universitária. Uma das principais problemáticas com relação ao campus universitário é a distância que está localizado, deixando como única alternativa o transporte público, que demora em média quarenta (40) minutos para passar.


No vídeo abaixo, Ailton faz um diário de rotina sobre o seu trajeto de casa até a UFCA, num dia em que o ônibus funcionava normalmente em um horário cujo fluxo era reduzido. Além da questão do transporte, o bolsista também se queixa do tempo reduzido das bolsas para este ano, uma vez que passaram de dez para oito meses.

Mesmo tendo que ir poucas vezes para a UFCA, pois está no final do curso e matriculado em poucas disciplinas, Ailton está sujeito a horários cuja demanda de transporte ainda é insuficiente. Nos casos que precisa ir mais cedo para as reuniões do grupo do qual é bolsista, Ailton tem de enfrentar assentos totalmente preenchidos e ônibus lotados. "Já aconteceu de ter gente ficando de fora porque não tinha lugar para sentar e o ônibus já estava lotado", relata. Além do fator lotação, o risco devido ao corona vírus é altíssimo, uma vez que as pessoas estão muito próximas.



Infográficos com números e bolsas disponibilizadas pela Pró-reitoria de Extensão (PROEX) para os alunos da Universidade Federal do Cariri

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A Coordenadoria de Gestão das Ações (PROEX), e a Coordenadoria de Admissão e Dimensionamento (PROGEP) da UFCA, o repasse das bolsas dentro da instituição é definido em Portaria do(a) Reitor(a) da UFCA, bem como, as alterações nos valores das bolsas e auxílios financeiros, tomando por base as bolsas concedidas por órgãos de pesquisa de fomento nacional.


Bolsas de pesquisa, ensino, extensão, cultura e desenvolvimento institucional, científico e tecnológico, o Conselho Superior Pro Tempore é responsável por deliberar e decidir resoluções específicas de todos os programas oferecidos pela universidade, são eles:


  • Programa de Bolsas de Iniciação Docente – PID;

  • Programa de Bolsas de Educação Tutorial – PET;

  • Programa de Projetos de Ensino;

  • Programa de Aprendizagem Cooperativa;

  • Programa de Auxílios e Bolsas de Extensão;

  • Programa de Bolsas de Cultura;

  • Programa de Bolsas de Arte;

  • Programa de Bolsas de Esporte;

  • Programa de Assistência Estudantil;

  • Programa de Bolsas de Tecnologia da Informação;

  • Programa de Aprendizagem Prática;

  • Programa de Integração de Ensino e Extensão;

  • Programa de Comunicação Organizacional – PCO;

  • Programa Institucional de Iniciação Científica e Tecnológica – PIICT.

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Ainda é impressionante ver que uma parcela tão pequena dos bolsistas remunerados afirma que o que recebem mensalmente é insuficiente para custear atividades de lazer. Como o relatado por Yago e Ailton, as despesas com transporte e alimentação exigem até mais da metade da bolsa e por isso as atividades de lazer são colocadas em segundo plano.


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"Uma bolsa é muito frutífera para a minha carreira acadêmica, porque me permite ampliar os horizontes e desenvolver mais". Yago Pontes.
 
 
 

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