NOVO MOVIMENTO NA UFCA PROMETE "UNIR TODOS, TODAS E TODES"
- amandagabriele999
- 6 de jun. de 2022
- 6 min de leitura
Na última dia 26 foi realizado no miniauditório Bárbara de Alencar da Universidade Federal do Cariri (UFCA) campus Juazeiro do Norte (às 14h) o I Seminário Repensar a UFCA. O evento foi transmitido ao vivo pelo Instagram com tradução simultânea em libras. Marcaram presença técnicos, discentes e docentes tanto da UFCA quanto do Centro de Formação de Educadores de Brejo Santo, além de alunos de outras universidades da região como Universidade Regional do Cariri (URCA) também estiveram presentes.
Desde o dia 29 de abril de 2022, data de criação de seu perfil no Instagram, o movimento

vinha sendo divulgado apenas pelas redes sociais. Um dos objetivos do seminário foi justamente apresentar oficialmente à sociedade e à comunidade acadêmica o Repensar a UFCA. Outro objetivo era elaborar uma ata com medidas a serem tomadas visando integrar a universidade e a comunidade para melhorar a relação entre coordenação, docentes, discentes e técnicos.
Foto: reprodução/divulgação; @repensarufca
“Esse movimento é um movimento espontâneo que foi surgindo para a gente pensar coletivamente a universidade, repensar e aí a gente tratar e propor algumas questões que são muito importantes para a universidade, esse processo de interiorização, de expansão e o que realmente a gente precisa priorizar." afirma o professor Rodrigo Lacerda, do Centro de Formação de Professores (IFE) de Brejo Santo.
“Tô muito curioso para ouvir a comunidade, acho que é um exercício que falta hoje na UFCA, dialogar com quem faz a universidade, que são os alunos, são servidores técnicos... estou com uma expectativa alta nesse sentido.” comentou Paulo Gonzalo, professor de matemática do IFE, também membro do Repensar . Durante o seminário o estudante Levi Rabelo (jornalismo) falou em nome do movimento Correnteza. Ele, assim como outros presentes, questionou a falta de uma real integração entre a UFCA e a comunidade a partir dos projetos de extensão.
Vídeo: reprodução/divulgação; @repensarufca - Levi Rabelo representante do Movimento Correnteza.
Ainda sobre os projetos de extensão, ele também questionou os cortes federais feitos nas verbas da universidade e o quanto isso afeta os programas de pesquisa e extensão, além de falar sobre a mecanização do ensino.
“Repensar é agir diferente também. É no cotidiano mudar nossa postura... parece às vezes, na universidade, que não tem nada acontecendo no nosso país. Aula normal, a gente sai, vai para o RU, conversa, volta, enfim. Mas não 'tá' tudo bem.”
Simone Rodrigues, técnica administrativa da Secretária de Acessibilidade da UFCA discursou a respeito da falta de investimentos para inclusão de pessoas com deficiência na comunidade acadêmica. Ela apontou a falta de docentes, discentes e técnicos incapazes de se comunicar com estudantes surdos e até, como ela mesma citou, a não aceitação de alunos com transtorno do espectro autista pela falta de preparo da universidade.
Expôs também o fato de que ter uma Secretária de Acessibilidade (Seace/UFCA) já é um grande avanço para as instituições públicas de modo geral, porém a falta de preparo impede a entrada e permanência de alunos com alguma deficiência, a não ser que estes sejam surdos e pretendam cursar Letras (LIBRAS).
Vídeo: reprodução/divulgação; @repensarufca - Simone Rodrigues, técnica administrativa da Secretária de Acessibilidade da UFCA
Uma fala muito significativa foi a da professora Sued Carvalho que é mestranda em história pela Universidade Regional do Cariri (URCA) e ministra aulas para turmas do ensino médio. Segundo ela a extensão e integração entre comunidade e universidade passa, obrigatoriamente, pela educação básica e pelo ensino médio e este afastou-se ainda mais do ensino superior após a aprovação do novo ensino médio. Para ela, as universidades públicas estão muito longe das realidades escolares, segregando professores de educação básica/ensino médio e universitários.
“A gente no front vê vocês aqui como uma espécie de general viu. A gente não sente os professores do ensino médio presentes no dia a dia escolar, a gente brinca que vocês 'tão' no Olimpo... Professor de ensino superior é o Olimpo.”
Outra voz que representou os alunos foi a do estudante do curso de Filosofia Francisco Silva, ele fez uma comparação entre o ensino EAD e o presencial. Segundo ele, a universidade gera duas realidades paralelas, a dos servidores e a dos estudantes, criando uma sensação de exclusão destes últimos. Em acordo com a fala do estudante Levi, o Francisco falou sobre a não integração dos estudantes nos assuntos e problemas da universidade, apontando por exemplo a baixa presença de alunos no seminário.
Vídeo: reprodução/divulgação; @repensarufca - Francisco Silva, estudante do curso de filosofia.
Entrevista com os Membros do Repensar por E-mail
Para o professor João Adolfo, o é Repensar a UFCA “É um movimento espontâneo em forma de coletivo composto por membras/os da comunidade universitária da UFCA (estudantes e servidoras/os técnicos e docentes).” E suas intensões são estudar e compreender ações para “integrar a gestão acadêmica e administrativa na UFCA, assim como discutir os percalços enfrentados pela educação superior pública no país.”
Para ele, escolha do nome “Repensar a UFCA" vem do desejo de “através da criticidade propositiva e da solução dialogada” construir uma gestão voltada realmente para a cultura, ensino, extensão e pesquisa. Quando questionado se o movimento repensar a UFCA pode ser considerado uma articulação partidária/oposição à reitoria, ele aponta que “O movimento não possui filiação político-partidária, o que não inviabiliza que seus componentes assim o façam, sem, no entanto, sair do campo democrático popular. O movimento se pauta enquanto coletivo que busca em conjunto à comunidade universitária da UFCA (o que inclui também a gestão superior) a melhoria do ambiente de trabalho e estudo, avanço nos índices acadêmicos a partir de uma proposta coletiva e inclusiva, feminista, antirracista e antifascista. ”.
Embora venha fazendo um trabalho de marketing muito forte voltado para as redes sociais, até o fechamento desta reportagem o Repensar a UFCA contava com apenas 356 seguidores em seu perfil do Instagram. Apesar do que dizem os membros do movimento, sobre suas intenções de melhorar a comunicação entre docentes e discentes, dentre os aluno ele ainda é ainda pouquíssimo conhecido. A baixa presença de alunos da própria UFCA no seminário não passou despercebida aos organizadores.
A professora Camila Prado, do curso de filosofia, também conversou conosco por e-mail . Ela falou sobre as intenções de transformar a ata em algo real "A criação de um espaço de acolhimento infantil para filhas e filhos de servidores docentes, técnicos e estudantes, que foi debatida no encontro, nos pareceu uma demanda muito importante e, por isso, estamos nos mobilizando para pensar como torná-la real." Apesar disso ela reconhece a falha em não terem elaborado a ata no momento do encontro e sim posteriormente. "Nos apressamos para que não se esvaziasse o momento. Mas nos próximos teremos este momento final mais democrático. "
"Estamos querendo muito que mais estudantes e mais técnicos cheguem! É fundamental para o movimento. Temos bastantes pessoas seguindo o movimento pelas redes sociais e interagindo por lá." Segundo ela, nos próximos encontros eles pretendem usar o pátio da universidade para integrar mais os estudantes. Para ela, construir um projeto plural e participativo que coloque para a frente as pautas da comunidade é o mais importante. Quando questionada sobre a possibilidade de concorrem a reitoria no próximo ano, ela não descarta a possibilidade.
"Nesse sentido, estamos com Paulo Freire: não há educação que não seja política. Se isto vai se tornar uma candidatura à reitoria, vamos ver com o processo. O mais importante é o movimento que já está sendo promovido pela iniciativa e que deve ser muito maior e mais potente, independente de quem ganhe as eleições na Universidade, no ano que vem."
Foto: Leticia Costa - I Seminário Repensar a UFCA
Entramos em contato com a reitoria da UFCA para saber qual o posicionamento a respeito
dos questionamentos e criticas feitos pelo movimento Repensar a UFCA e conversamos por e-mail com a vice-reitora Laura Hévila Leite.
"A Universidade é o espaço privilegiado do diálogo e da colaboração. Nesse sentido, todas as iniciativas que venham a contribuir para o desenvolvimento da Educação são sempre bem-vindas. O ato de refletir a UFCA é uma prática diária de todos nós que fazemos a gestão da UFCA." respondeu Laura a respeito das críticas que o repensar vem fazendo a respeito da maneira como a UFCA vem sendo regida.
Sobre a possibilidade de ter o Repensar concorrendo a reitoria no próximo ano, ela ressalta que a universidade é um ambiente plural e que qualquer movimento que venha a acrescentar a UFCA será sempre bem vindo.
Sobre a falta de servidores técnicos, Laura afirma que na Lei de Criação da UFCA (12.826/2013), o Ministério da Educação (MEC) não disponibilizou todas as vagas necessárias para contratação de servidores técnico-administrativos, o que gerou uma certa defasagem nas secretárias, mas que nenhuma está desassistida. No que concerne a questões de acessibilidade ela cita a criação do Curso de Letras/Libras e da Seace/UFCA..
A Pró-reitora de Extensão, por sua vez, tem apoiado via fomento financeiro e técnico um leque variado de programas, projetos e ações, com impacto direto na comunidade local. Um dos importantes trabalhos em curso é a UFCA Itinerante, que leva a Extensão universitária para outros municípios da região do Cariri, além do eixo Crajubar.
Ela também alega que o fortalecimento dos projetos de extensão universitária tem sido uma preocupação da UFCA, "Um exemplo exitoso é o Edital de Premiação Seja Extensão, que vem, desde 2019, implementando fomento financeiro nos projetos e buscando dar maior visibilidade à Extensão universitária dentro e fora da UFCA."
















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