top of page

I Seminário de Pesquisa e Comunicação da UFCA contrasta com a falta de cursos de pós-graduação

  • Foto do escritor: Evellen Rodrigues
    Evellen Rodrigues
  • 7 de jun. de 2022
  • 3 min de leitura

Instituição de ensino federal da região do Cariri ainda possui poucos programas de mestrado e doutorado

ree
Reprodução: Site oficial UFCA

A Universidade Federal do Cariri (UFCA) vai receber entre os dias 13 e 15 de junho o I Seminário de Pesquisa em Comunicação. O evento, que foi desenvolvido e incentivado pelo professor Tiago Coutinho junto com a turma do 6° semestre do curso de jornalismo, debaterá o tema “Trajetórias e Perspectivas”.


O momento será de palestras, diálogos e debates entre professores e alunos sobre ideias e temas importantes, como também será de incentivo ao discente a ingressar e continuar no mundo da pesquisa para fomentar ainda mais o campo. Apesar de a instituição ter programas de bolsas voltadas para a pesquisa é notório o receio de parte dos alunos com a pesquisa acadêmica. O receio é fruto de uma visão equivocada de que a atividade científica se choca com a ideia de preparação para o ingresso no mercado de trabalho.


Ademais, a formação de alunos pesquisadores está interligada com os programas de pós-graduação, dado que é um incentivo para que os discentes possam ir além da graduação, tendo assim, o papel da pesquisa acadêmica como um meio introdutório no campo científico.


Entretanto, no âmbito dos programas de pós-graduação na UFCA, é constatado que atualmente existem apenas uma especialização: "Tradução e Interpretação de Libras". Já no mestrado, existem cinco cursos: Biblioteconomia, Bioquímica e Biologia Molecular, Desenvolvimento Regional Sustentável, Matemática e Ciências da Saúde. E, no doutorado, apenas um: "Bioquímica e Biologia Molecular". Fica evidente a deficiência das áreas sociais e humanas nos programas de pós-graduação. Ainda que a instituição tenha 11 cursos de graduação nas áreas humanas e sociais.


Isso gera, por consequência, a migração de estudantes para realização de pós-graduação em outras localidades, em razão de que as existentes na região são privadas, de ensino à distância ou podem ainda não estar relacionadas à linha de pesquisa do discente. Assim como foi o caso do doutorando Robson Roque, ex-aluno de graduação do curso de jornalismo na UFCA, que em seu período de mestrado teve que ficar se deslocando do Crato para João Pessoa, capital do estado da Paraíba. Eram 642 quilômetros que deveriam ser percorridos para se alcançar o diploma de mestre em jornalismo, já que no Cariri não existia nenhuma formação de pós no campo da comunicação. Robson fez ao todo 62 viagens, que só foram possíveis porque seu trabalho dava condições financeiras para que o mestrado fosse realizado longe da região do Cariri.



Evento durante o Mestrado
Arquivo pessoal Robson Roque

Robson afirma que se houvesse pós-graduação no campo da comunicação na UFCA seria a sua primeira opção para realização da pós-graduação, pois realizar o mestrado em João Pessoa foi uma trajetória cheia de desafios e ficar longe da sua família foi o principal deles. Contudo, o sonho de se tornar professor universitário fez com que o mesmo não desistisse de seguir na carreira acadêmica.



Críticas


Evidentemente, programas de pós-graduação voltados para as áreas humanas e sociais ainda devem ser expandidos na UFCA. Logo, a insatisfação de alunos e professores quanto à falta de cursos de pós-graduação e mestrado têm se expandido nas redes sociais, contendo publicações críticas e reflexões. O perfil @repensarufca no Instagram tem convidado toda a comunidade acadêmica a participar de um movimento que pensa em mudanças para a universidade.


No último dia 25 de maio, a professora Amanda Teixeira contribuiu para o Repensar UFCA com um texto sobre a expansão do ensino superior federal, trazendo dados relevantes que apontam a universidade como a última na oferta de vagas em programas de pós-graduação strictu sensu, e a penúltima na oferta de cursos de graduação. O texto revelou também que o corpo técnico da instituição é o mais qualificado se comparado aos profissionais de outras universidades que também surgiram em 2013.


Amanda Teixeira explica que a sobrecarga de tarefas administrativas delegadas aos professores de graduação é uma das principais causas da falta de disposição e de qualificação necessária do corpo docente para a abertura de cursos dessa escala. Sobre a falta de cursos de pós-graduação ofertados pelo Instituto Interdisciplinar de Sociedade, Cultura e Artes (IISCA), a professora pontuou ainda que a autoria e publicação de artigos científicos auxiliaria na qualificação exigidas do corpo docente para abertura de programas de pós-graduação, e que o envolvimento dos professores com outras atividades torna esta iniciativa mais difícil. “O fato de não haver programas de pós-graduação aqui, retroalimenta essa dificuldade de produção”, afirma a docente.



 
 
 

Posts recentes

Ver tudo

Comentários


bottom of page