EMPRESA JUNIOR ESTIMULA APRENDIZADO PRÁTICO, MAS NEM TODOS OS CURSOS ADOTAM O MODELO
- jao.vit
- 6 de jun. de 2022
- 4 min de leitura
Atualmente, existem no Brasil 1.239 empresas juniores

Sede do PET do curso de design. Foto: Danilo Oliveira
Se você cursa ou pretende cursar alguma graduação, precisa conhecer o termo empresa júnior. Atualmente, existem no Brasil 1.239 empresas desse tipo e 23 mil empresários jovens com esse perfil distribuídos entre mais de 210 universidades, segundo a Agência Brasil. Uma Empresa Júnior é uma associação civil formada exclusivamente por estudantes de graduação de um ou mais cursos em que nelas são fornecidos serviços abaixo do valor de mercado.
O funcionamento de uma empresa júnior se difere em muitos pontos em relação a uma empresa tradicional. Os aspectos vão desde a forma de ingresso à remuneração. Como o foco é a aplicação do aprendizado da sala de aula na prática para o desenvolvimento profissional, a capacitação de toda a equipe e as experiências vividas podem ser vistas como sinônimos de remuneração. A composição é feita por estudantes em formação e a hierarquia é horizontal, com cargos de liderança mas de decisões compartilhadas, diferentemente do organograma das empresas tradicionais. Na Universidade Federal do Cariri (UFCA), alguns cursos de graduação já fazem uso dessa modalidade como uma forma de investir na capacitação dos estudantes.
A Calang.io, ligada ao curso de ciências da computação e a Projetta, do curso de engenharia civil, são exemplos de empresas juniores que funcionam atualmente na UFCA em Juazeiro do Norte. A Projetta, que já possui 6 anos de mercado, é a mais antiga do campus e a Calango.io, que foi estruturada oficialmente em maio de 2021, a mais nova no mercado.
O professor Thiago Bessa Pontes, doutor em comunicação e especialista em tecnologia da informação e comunicação na educação, é o atual professor tutor da Calang.io. Ele aponta que o principal objetivo de uma empresa júnior (isso dentro da dinamicidade do curso de Ciências da Computação) não é a aproximação do mercado de trabalho já que o próprio curso em si já proporciona isso. Segundo ele, o foco é o desenvolvimento de habilidades e competências que auxiliem os alunos nas tarefas diárias, que vão desde gestão de tempo até a comunicação com pessoas ou grupos. O professor também destaca que Empresa Júnior é importante dentro da universidade para uma prática de comércio e estimula as habilidades e competências que se desenvolvem de forma teórica dentro das salas de aula.
Atualmente, a Calang.io desenvolve todo e qualquer projeto referente a área de ciências da computação e possui um espaço físico que se encontra no conjunto que originalmente abrigaria a residencial da UFCA, na sala R-13, contudo ainda não está equipada com o material necessário para funcionar, já que a sala foi entregue recentemente ao grupo e passou por algumas reformas.
Não são todos os cursos
Apesar de ter sido adotado por alguns cursos, esta não é a realidade de toda a comunidade acadêmica no campus. No curso de Jornalismo, por exemplo, em meados do segundo semestre do ano de 2019, o tema foi levantado por um grupo de estudantes e chegou a ser levado ao Colegiado do curso, debatido em seguidas reuniões e aprovado apesar do posicionamento contrário de alguns membros do corpo docente. Estes professores argumentaram que a logística que uma empresa impõe poderia comprometer o trabalho e a forma dela internamente, ainda assim o colegiado foi favorável à criação da Empresa Júnior por três votos a favor, três contrários e quatro abstenções.
Diferente do curso de jornalismo, Thiago Bessa conta que não aconteceu um debate sobre o cunho mercantilista de uma empresa júnior no curso de em ciências da computação e a aprovação da proposta foi tranquila.
O Repórter Digital conversou com o professor de Jornalismo Luís Celestino sobre os debates na época sobre a criação da empresa júnior no curso de jornalismo. Segundo ele, foi proposto que a então empresa júnior fosse um equipamento no curso que servisse como uma espécie de estágio, ou algo relacionado, para a capacitação dos discentes e que atuaria em duas frentes: assessoria de imprensa e no formato de agência de notícias. Ele relata que após a aprovação, o tema não retornou à discussão, tanto que não tem detalhes de como o projeto foi levado adiante,
'' [...] eu não sei como é que tá a recepção por parte dos alunos também, acho que a maior parte não é que esteja a favor ou contra, a maior parte nem sabe … é tão alheia ao tema que não pode nem se posicionar, ‘não sei nem o que é’. A gente tá pairando em muita desinformação ainda.'' Professor Luís Celestino
Uma pesquisa feita por nossa equipe entre os alunos do 4° semestre de jornalismo retratado a fala do professor. Nos resultados, é possível observar que uma parcela significativa do curso não conhecia ou não sabia a função de uma empresa júnior e, quando explicado de forma sucinta o que é e para que serve, grande parte dos alunos foi favorável a criação, ainda que a forma de atuação não fosse especificada. Para os estudantes favoráveis, a empresa júnior seria uma boa forma de capacitação e mais uma forma de ingresso no mercado de trabalho.
O professor Luís Celestino citou o Programa de Educação Tutorial (PET) como uma opção à empresa júnior. Um PET atua na inserção de estudantes de graduação em projetos de educação tutorial com o objetivo de aplicar seus conhecimentos e ampliar sua formação com bolsas pagas pelo Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE) .
''Eu era mais a favor que a gente tivesse ... por exemplo PET, assim como outros cursos têm. PET é um programa que envolve a extensão à pesquisa, ensino e cultura num mesmo programa'' Professor Luís Celestino
Após a aprovação em colegiado em 2019, não houve nenhuma movimentação quanto à abertura de fato de uma empresa júnior no curso jornalismo e muito menos de um PET.


Comentários