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DESEMPREGO BATE NA PORTA E TRABALHO INFORMAL SE TORNA UMA SAÍDA

  • Foto do escritor: Carla Vanessa
    Carla Vanessa
  • 1 de jul. de 2022
  • 6 min de leitura

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Foto por Diogo Pimenta

A imagem retrata o cotidiano de Antônio Alves e Venância Maria.a
Foto por Carla Sousa

Antônio Alves, de 44 anos, e Venância Maria, de 36, trabalham na informalidade há cerca de cinco anos. O casal tem uma barraca em frente a Universidade Federal do Cariri, que vende pastel, tapiocas e sucos. Apesar do empenho, nenhum deles possuem carteira assinada e tampouco segurança no trabalho, ou seja, um emprego sem remuneração fixa e a integridade física. Antônio e Venância são de Farias Brito, eles tiveram que se deslocar de sua cidade natal para Juazeiro em busca de melhoria financeira para o bem-estar de sua família.

Antônio relata que a pandemia trouxe uma maior incerteza nos negócios, pois muitos alunos não retornaram para a universidade o que afetou o fluxo de pessoas que iam até a barraca. Ele ainda relata que em períodos de férias o lucro cai bastante, pois ficam os servidores na UFCA, sendo que o maior público é formado pelos alunos. Esse fator interfere diretamente na renda da família de Antônio, por trazer uma instabilidade e evidencia ainda mais os desafios da informalidade.


Em momentos de alta na taxa de desemprego, um termo que costuma aparecer bastante é trabalho informal. Assim, essa modalidade acaba se tornando uma nova alternativa para quem perdeu um emprego de carteira assinada ou nem conseguiu ser inserido no mercado formal de trabalho.


Segundo o economista Francisco Aparecido Rocha de Araújo, formado e pós-graduado no curso de Economia da Universidade Regional do Cariri (URCA), o mercado de trabalho informal é quando o trabalhador exerce suas funções sem vínculos formais ou protecionais das legislações trabalhistas, ou seja, é aquele que exerce sua atividade sem carteira assinada ou, no caso de autônomos, sem um CNPJ (o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica). Assim, muitas cidades registram índices altos e relevantes no mercado informal, no Cariri não é diferente. Francisco Aparecido cita que a região está com baixa quantidade de trabalhadores formais, devido a demanda e a grande procura, assim com as inflação e as taxas de desempregos, os trabalhadores estão optando por trabalhar por conta própria.


O economista ainda relata que a informalidade trabalhista é uma “lástima” e que nenhum trabalhador prefere trabalhar de forma informal, a não ser quem consegue com sucesso, um bom desempenho. Mas os dados mostram que a maioria não consegue. Porém, mesmo com as incertezas e dificuldades dessa modalidade de trabalho, os números de formalidades trabalhistas seguem caindo no país, chegando a um total de 38,1% no 1º trimestre de 2022, de acordo com o IBGE.


Segundo um levantamento da LCA Consultores, a partir dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) do IBGE, o número de trabalhadores com carteira assinada teve uma diminuição em cerca de 2,8 milhões entre 2014 e 2022, enquanto o de trabalhadores por conta própria ou sem registro em carteira, trabalhadores informais, aumentou em 6,3 milhões em 8 anos. Assim, nesse período, a categoria que mais ganhou participação no mercado de trabalho foi a dos trabalhadores por conta própria, que teve um salto de 22,5% para 26,5% do total de ocupados, seguida pelo emprego sem carteira assinada, que passou de 11,6% para 12,8%. Juntas, as duas modalidades representam 39,3% do total de brasileiros com trabalho, mais do que o contingente com carteira assinada, com um total de 37,5 milhões.


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Fonte: LCA Consultores, a partir de dados da PNAD/IBGE

Francisco Aparecido ainda cita que o trabalho informal é uma maneira de driblar a fome, onde pessoas que trabalham por conta própria, na maioria das vezes, vendem itens de gênero alimentício, sejam trufas, salgados, "dindin", água mineral, entre outros. Outras opções são vendas de produtos artesanais ou alguns serviços, os chamados bicos, seja de serviços domésticos, reparos em residências, serviços de segurança, entre outros tipos.


A gerente comercial Bruna (nome fictício) relata que uma das dificuldades no trabalho informal é realizar a abertura de contas em bancos ou fazer algum tipo de investimentos, uma vez que é necessário ter uma comprovação de renda. Isso evidencia ainda mais as dificuldades do trabalho informal, por mais que Bruna consiga ter uma boa renda, existem limitações por conta da informalidade.


Dados do IBGE mostram que entre o segundo semestre de 2019 e o mesmo período deste ano, o número de brasileiros sem carteira assinada ou vínculo formal aumentou em 700 mil e atingiu 24,8 milhões de pessoas. Quase 14 milhões deles recebem até um salário-mínimo, um aumento de 2,1 milhões de trabalhadores nessas condições no mesmo período.


Bruna cita também que chegou a trabalhar uma vez de carteira assinada, mas já no novo emprego eles deram a opção se ela queria ou não assinar a carteira e já foi algo da escolha da própria em não assinar. Ela diz que não voltaria a trabalhar de carteira assinada. Algumas pessoas ainda chegam a ter sucesso no trabalho informal, mas é uma pequena porcentagem desses trabalhadores informais que conseguem, outros ainda não veem vantagem no trabalho informal.


O trabalho informal é algo que vem crescendo muito no país não só por uma grande taxa de desemprego, mas também sendo um meio que a população encontra para conseguir ter uma renda no final do mês, alguns optam em ter seu próprio comércio ou então trabalhando em alguns bicos.


DESEMPREGO


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Foto por Carla Sousa

O desemprego deve ser entendido como uma situação social que está diretamente relacionada a aspectos econômicos, sociais e políticos, como crise econômica, a falta de qualificação profissional e a redução no número de vagas ofertadas. Esse fator social gera inúmeros problemas de ordem social, econômica e até mesmo psicológica, pois afeta a qualidade de vida e o bem-estar.


O conceito de desemprego refere-se às pessoas que possuem idade para trabalhar, que não estão trabalhando, mas estão disponíveis e tentam encontrar trabalho, esse conceito está ligado a uma situação social de não emprego, na qual o indivíduo não trabalha e não recebe nenhuma remuneração salarial. Socialmente, entende-se como emprego a venda de mão de obra ou força de trabalho em troca de uma remuneração, que pode ser diário, semanal ou mensal, havendo vínculo empregatício ou não, caso não haja, desempenha-se o trabalho informal.


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Infográfico por Carla Sousa

O desemprego é gerado a partir do momento que um posto de trabalho é fechado. O principal fator que gera o fechamento dos postos de trabalho é a crise econômica de um país, quando a economia não vai bem e algumas empresas, grandes ou pequenas, acabam deixando de funcionar e demitem seus funcionários, gerando, o desemprego. A redução de custos é outro fator gerador de desemprego, acontece nas indústrias e grandes empresas, que demitem funcionários a fim de reduzir sua folha de pagamento.


A falta de qualificação profissional também é um forte fator de desemprego, as empresas da atualidade precisam de funcionários e colaboradores especializados, se o indivíduo não possui qualificação profissional, ele não serve mais para a vaga e acaba perdendo seu emprego. A substituição de mão de obra também é um fator relevante, pois muitos postos de trabalho substituem a mão de obra das pessoas pelas máquinas, com desenvolvimento tecnológico muitas empresas vêm substituindo as pessoas no trabalho, por maquinários cada vez mais tecnológicos e sofisticados.


As consequências do desemprego não são apenas sociais, elas também podem ser psicológicas, por afetar diretamente o modo de vida da pessoa, e políticas. O desemprego aumenta os problemas relacionados com a saúde física e mental do trabalhador, como: autoestima, insatisfação, frustração, mudança no humor e bem-estar. Os aspectos sociais que mais se destacam são relacionados com as condições econômicas das pessoas ou grupo familiar, como a diminuição da renda, que pode levar o indivíduo a migrar de uma classe social à outra, promovendo-se o aumento da pobreza e a consequente falta de acesso a determinados bens ou serviços, a exclusão social. Há também o aumento da desigualdade social, que passa a ser um problema político, de ordem governamental.


O Brasil tem atualmente mais de 12 milhões de pessoas desempregadas, segundo dados divulgados no final de março deste ano pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) contínua. O país tenta se recuperar da pandemia de Covid-19, período em que estabelecimentos fecharam ou diminuíram suas equipes, o que ocasionou demissões em massa. Além do alto número de pessoas sem emprego, a amostra da Pnad Contínua mostra que entre dezembro de 2021 e fevereiro de 2022, o número de pessoas trabalhando sem carteira assinada foi de 12.281 milhões, um aumento de pouco mais de 2 milhões em relação ao mesmo período de 2020 e 2021 (10. 361 milhões).



TAXA DE DESEMPREGO


A taxa de desemprego refere-se a uma medida do número de pessoas desempregadas em determinado país ou região. Todo país tem uma população economicamente ativa (PEA), que tem idade para trabalhar (16 anos ou mais). Atualmente, a PEA brasileira corresponde a cerca de 100 milhões de habitantes em 2020. As taxas de desemprego são medidas com base nesse número, ou seja, a referência sempre será esse índice.








 
 
 

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