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Câmara de deputados estaduais no Ceará elege apenas duas mulheres pardas

  • Foto do escritor: Evellen Rodrigues
    Evellen Rodrigues
  • 1 de nov. de 2022
  • 2 min de leitura

Por: Evellen Rodrigues; Klébia Souza; Maria Clara Moreira


A eleição de 2022 elegeu um nível recorde de deputados federais, estaduais e senadores liberais e conservadores, fortalecendo assim a campanha do então atual presidente e ex-candidato à reeleição, Jair Bolsonaro. No entanto, candidatos e candidatas negras, índigenas, LGBTQIAP+, mulheres cisgênero e transgênero também conquistaram avanços, em termos de representação, ganhando assim mais espaço, imagem e voz na política, comparado ao cenário da eleição de 2018.


Ainda que tenha ocorrido o aumento na taxa de candidaturas mais representativas em todo o país, no Ceará esse crescimento ainda é tímido, visto que as candidaturas para ocupar o cargo de deputado estadual contaram com 46 eleitos, de 517 concorrentes. Entre os candidatos eleitos, apenas nove eram mulheres, sete delas sendo brancas e as outras duas, Jô Farias (PT-CE) e Luana Ribeiro (PSDB/CIDADANIA-CE), com a raça autodeclarada como “parda”.


A presença destas mulheres na política é considerado um grande avanço, mesmo que suas inserções sejam poucas no poder público, visto que o espaço político ainda é marcado, em sua maioria, por homens brancos.


Das 517 candidaturas para a eleição de deputado estadual em 2022, 343 eram homens e somente 174 eram mulheres.


Candidaturas a deputados estaduais no Ceará por gênero


Dos 46 que assumirão o cargo de deputado estadual em fevereiro de 2023, 24 são homens que se declararam brancos, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, o TSE. Em seguida, são homens pardos e pretos, mulheres brancas e por último mulheres pardas.


Grupos eleitos de candidatos estaduais no Ceará em 2022

Este problema da disparidade de grupos representativos no cenário político é notado por questões estruturais e culturais, que ainda estão presentes na sociedade como a crença de que a mulher não tem capacidade de decisão no domínio público, sendo reduzida ao âmbito doméstico. Ainda que exista cota de gênero, mulheres são constantemente alvos de violências no âmbito político, problema que se agrava quando as mesmas são pardas ou pretas que ocupam cargos neste meio.


É válido lembrar que políticos conduzem campanhas e propostas de acordo com aquilo que eles veem no povo. O Ceará é o estado que mais mata pessoas transexuais, travestis e transgêneros do país e ao mesmo tempo elegeu uma grande bancada conservadora, não apresentando assim propostas reais de segurança para o povo LGBTQIAP+.


Enquanto a bancada conservadora for composta de homens, brancos, héteros, cisgêneros, ela continuará não-inclusiva e sem propostas que realmente avaliem a vivência desses grupos. A pouca representação feminina faz com que o futuro das mulheres no país, estejam nas mãos de homens, com as características já citadas, homens inclusive que não (re)conhecem a luta antiga, diária e constante das mulheres.


Em termos de representação, a eleição de pessoas pertencentes a grupos minorizados, aos cargos de deputado federal, estadual, e de senador, aponta uma conquista para suas respectivas comunidades, que podem por meio disto, adquirir mais espaço, imagem e voz na política nacional.






 
 
 

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