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Comunidade acadêmica relata dificuldades sobre o entorno da UFCA

  • isanarap135
  • 7 de nov. de 2022
  • 4 min de leitura


Distância dos centros urbanos, falta de iluminação e de estabelecimentos no entorno da instituição são as principais reclamações dos estudantes e funcionários.


Por: Isa Nara Pereira, Letícia Holanda e Claricia Alves

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Campus Juazeiro do Norte visto de cima. Foto por: Gabriel Souza e Luyan Costa - Dcom UFCA

A Universidade Federal do Cariri (UFCA) foi inaugurada em 2013 após ser desmembrada da Universidade Federal do Ceará (UFC). Entretanto, desde a sua fundação, os estudantes e servidores da UFCA enfrentam desafios para frequentar o campus. Isso se deve, sobretudo, à localização da instituição, que fica distante dos bairros comerciais e também à falta de espaços de convivência ao redor do campus.


O único estabelecimento que há no entorno da UFCA é uma venda informal de pastéis onde trabalham Antônio Alves, Venância Maria e seus dois filhos. Eles estão no local há cinco anos e atestam que a região era bem mais perigosa e há três anos eles foram assaltados nas proximidades da universidade. Antônio afirma que desde então a situação melhorou por causa dos loteamentos imobiliários na região, melhorou a iluminação e diminuiu a quantidade de mata no entorno. A venda de pastel é a única opção de lanche para os estudantes além da cantina da instituição.


No caso de algum membro da comunidade acadêmica precisar de algo com urgência, como medicamentos, deve realizar um pedido por delivery ou se deslocar até a área mais central de Juazeiro do Norte.


Além disso, o caminho até a UFCA tem trechos com pouca ou nenhuma iluminação e a falta de sinalização dificulta o tráfego. Há relatos sobre estudantes que já foram assaltados nas dependências da UFCA e muitos não se sentem seguros nesses locais.


A professora Ligia Coeli foi contratada pela universidade em 2022. Ela conta que, ao chegar na UFCA, notou a diferença em relação à instituição que ensinava anteriormente, a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). No trabalho anterior, ela conseguia realizar ações do dia a dia com mais facilidade, por exemplo, fazer uma compra de itens básicos. Lígia diz que não se sente segura para andar no entorno da UFCA durante a noite, pois é mal iluminado e isso dificulta a convivência com alunos e outros professores.


O professor Luis Celestino do curso de Jornalismo trabalha na UFCA desde 2010. Segundo Celestino a Universidade Federal do Cariri foi o primeiro estabelecimento a ser instalado na região e que desde então iniciou-se uma lenta urbanização da parte da cidade. Confira um trecho da entrevista com a Repórter Letícia Holanda:


"Hoje eu vejo como negativo esse asfalto, essa ocupação que no passado não tinha asfalto, que é a perca de uma mata virgem.”



O professor, que acompanhou um pouco dessa urbanização ao longo dos últimos 12 anos, afirma que enxerga esse processo como negativo para a região pela forma que vem acontecendo. Nos últimos anos foram instalados loteamentos para a instalação de condomínios imobiliários e abriram estradas na região. Para isso, parte da mata nativa da região foi removida. Grande parte dos estudantes enxergam a remoção da mata virgem como positiva, pois se sentem mais seguros dentro de um ambiente urbanizado.


Celestino aponta outro aspecto da urbanização recente que vem acontecendo na região, têm sido instalados condomínios privados, mas não tem sido criado ambientes públicos para as pessoas socializarem como praças públicas, parques, ambientes voltados para cultura. O desenvolvimento da região acaba acontecendo de maneira inacessível e elitizada.


Um cenário complicado para os discentes


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Entorno da UFCA. Foto por: Letícia Holanda

Diante desse problema, os alunos do campus Juazeiro do Norte são os que se sentem mais incomodados com a falta de urbanização nos arredores do campus. O aluno Vitorino Silva, estudante do curso de Jornalismo, ingressou na Universidade no ano de 2017, e relata que se sente inseguro com a localização do Campus, mas cita que já foi bem pior: "Antes aqui tudo era mato". Vitorino gostaria que tivesse algo a mais nos arredores, até mesmo para atender as necessidades de alimentação dos alunos, pois dentro do campus não existem muitas opções.


"Eu acho que a cúpula deveria escutar mais os alunos, porque somos nós que vivemos isso aqui todos os dias." Vitorino Silva

Os alunos relatam também a falta de uma diversidade maior em relação a alimentação, e que principalmente à noite as opções de comida são bem reduzidas em comparação ao que é oferecido durante o dia. Elizeu Fernandes, do curso de Administração, diz que vê bastante potencial na universidade e que poderia ser instalados novos empreendimentos, como por exemplo, um espaço destinado às pessoas que vendem algo de forma autônoma dentro da Universidade.


Com essa localização do Campus muito isolada, acaba dificultando a chegada dos alunos, pois não há possibilidade de se instalar nas proximidades por conta da distância do comércio, hospital, farmácia e até mesmo espaços de lazer e socialização.


A aluna Nise Esther, do curso de Filosofia, destaca a questão da residência universitária, que são dormitórios que foram construídos dentro da universidade para que os alunos pudessem morar por lá e nunca foram utilizados, e um dos motivos que não estão sendo utilizados é justamente pela localização da universidade, pois não há segurança. Sendo assim, não atende às necessidades do dia a dia, até mesmo para chegar a um hospital se precisar. Os alunos precisariam ter transporte próprio para se deslocar. Há apenas quatro linhas de ônibus que passam pela universidade e em horários bem específicos. Veja uma parte da entrevista:



 
 
 

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