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ALUNOS SURDOS NA UFCA ENFRENTAM BARREIRAS NA COMUNICAÇÃO

  • Foto do escritor: Carla Vanessa
    Carla Vanessa
  • 7 de nov. de 2022
  • 6 min de leitura

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Foto de SHVETS production: https://www.pexels.com/pt-br/foto/bate-papo-conversa-comunicar-divulgar-7516363/


A comunidade surda sempre sofreu com as marcas da exclusão social pela falta de acessibilidade e por várias barreiras comunicacionais, mesmo com o início da aprendizagem da linguagem de sinais, essas barreiras continuam se perpetuando até os dias de hoje. Em todas as instituições de ensino de nível fundamental, médio e superior, alunos surdos se sentem excluídos, por falta de interação com os alunos ouvintes. Na Universidade Federal do Cariri (UFCA), não é diferente, tendo em vista que a grande maioria dos estudantes são ouvintes e não dominam a língua de sinais, fazendo com que provoque, mesmo que não seja de forma intencional, essa exclusão social em meio ao processo comunicacional dos alunos surdos.

Sendo assim, a UFCA, com intuito de promover uma inclusão social e de formação de profissionais para começar a atender essa demanda de alunos e demais pessoas e profissionais surdos, implementou em sua grade de formação, o curso de licenciatura em letras libras. Deste modo, promovendo a oferta da formação de profissionais e intérpretes para suprir a necessidade de transmitir ensinamentos e multiplicar a libras.


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Foto por Diogo Pimenta


Para o professor e coordenador do curso de letras libras na UFCA, Lucas Romário da Silva, a inclusão de um curso de letras libras no ensino superior, representa não somente o processo de inclusão social dos próprios surdos, como também um processo de desenvolvimento até mesmo do campo profissional, onde tem por intuito desenvolver a formação de professores de libras, ou seja, multiplicadores de libras.


Contudo, o processo comunicacional dos alunos surdos na UFCA, como também nas demais instituições de ensino, se concentra basicamente na comunidade surda se comunicando entre si, tendo em vista que uma pequena parcela da universidade domina a linguagem de sinais. Embora a acessibilidade e a oferta de profissionais para transmitir os conteúdos para os alunos esteja em ótima qualidade, fora de sala é notável um isolamento entre os alunos surdos, tendo uma comunicação basicamente só entre eles.


O professor Lucas Romário, ainda relatou que de fato por as outras pessoas ouvintes não saberem libras nos outros espaços, elas acabam não se comunicando com os surdos, fazendo com que eles enfrentam diversas barreiras de comunicação, como exemplo, a ida de um aluno surdo até a cantina e lá ninguém sabe libras, eles acabam tendo que ficar apontando e as vezes tem que fazer algum gesto para ser atendido. Outro exemplo que pode ser citado, é quando eles vão nos espaços, porém, eles não têm a liberdade de ir em qualquer espaço da universidade, como na Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE), na Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD), e em demais ambientes o surdo para isso tem que chamar um(a) intérprete. Então, ainda pode-se observar que existem muitas barreiras de comunicação, por isso a importância de disseminar cada vez mais a disciplina de libras.


Conquistas e inclusão social


A Inclusão Social é o conjunto de meios e ações que combatem a exclusão aos benefícios da vida em sociedade, provocada pelas diferenças de classe social, educação, idade, deficiência, gênero, preconceito social ou preconceito racial. Inclusão social é oferecer oportunidades iguais de acesso a bens e serviços a todos. Um dos assuntos importantes a ser alavancado e relatado, é o da inclusão do processo comunicacional de pessoas surdas na sociedade, tendo em vista que uma pequena parcela destes são fluentes na linguagem de sinais.


Muitas tentativas de inclusão vêm sendo praticadas, mas, ao longo dos anos, produziram poucos resultados que realmente possam ser considerados eficazes. No Brasil, a educação dos sujeitos surdos continua sendo um problema, já que existem pouquíssimas escolas preparadas à condição bilíngue e às necessidades específicas das pessoas surdas. Pode-se dizer que houve avanços, levando em conta que o reconhecimento da Libras como uma língua brasileira se deu somente em 2002 e a publicação do Decreto 5.626, que se ateve às necessidades dos surdos, às condições e requisitos para uma educação adequada, bem como para a acessibilidade, apenas em 2005. Foi somente depois desta determinação oficial que no Brasil iniciaram-se discussões efetivas e que tivessem a atenção voltada à necessidade do “respeito à particularidade linguística dos surdos e do uso desta língua nos espaços educacionais”, e, assim, uma atenção para o desenvolvimento de práticas voltadas às especificidades do sujeito surdo.


A desmistificação e inclusão de pessoas com deficiências auditivas tem se tornado presente no ciclo social, onde instituições de ensinos vêm se moldando e se adequando para atender essas necessidades básicas de transmitir conhecimentos para todos, e promover a formação básica de seus alunos independentes de sua condição. As pessoas surdas sempre tiveram dificuldade de promover uma comunicação direta com os demais ouvintes, sobretudo, esse cenário começou a se modificar devido a aprendizagem da língua brasileira de sinais (libras).



A visão da secretaria de acessibilidade da UFCA


Segundo a Assistente Administrativa Simone Ferreira da Secretaria de Acessibilidade da UFCA, “a instituição conta com quatro servidores tradutores e intérpretes de libras efetivos, e mais três contratados de forma temporária, totalizando sete intérpretes”. A universidade tem um total de treze alunos surdos sendo um no curso de Medicina Veterinária, um no curso de Filosofia e onze no curso de Letras/libras, esse mapeamento é fundamental para que a secretaria de acessibilidade possa atender a todos e para que haja inclusão social na UFCA.


Questionada acerca das medidas que são adotadas para que os alunos surdos sintam-se inseridos na comunidade estudantil, a assistente administrativa Simone Ferreira declara: “É uma preocupação da secretaria de acessibilidade oferecer a comunicação acessível para o estudante”. A prioridade de atendimento é o estudante em sala de aula, em atividades acadêmicas na medida do possível, a Assistente Administrativa relata que às vezes é muita demanda e a secretaria não consegue atender todas, mas que no geral eles fazem o possível para atender todas as solicitações dos discentes e dos professores que vão atender os estudantes surdos. Outra medida interna é divulgar os cursos que são possíveis da comunidade acadêmica no geral para os colaboradores, os docentes, acerca de ofertas de cursos de libras, para que eles possam conhecer a cultura surda, que é uma forma de se relacionar, enquanto temos a oralidade, eles tem o visual, o espacial, precisam de outros recursos. No entanto, é importante essas medidas para mitigar a falta de comunicação com os alunos surdos e para alçar a Universidade ao estado genuíno de inclusão social.


A secretaria de acessibilidade tem algumas iniciativas próprias para melhoria na acessibilidade dos alunos surdos da UFCA, dando o apoio necessário para melhorar esse processo comunicacional. Esse ano eles tiveram uma demanda junto a Pró-Reitoria de Extensão (PROEX), para que fosse ofertado um curso básico de libras tanto para estudantes extensionistas como para os docentes dos cursos de extensão.


Barreiras a serem quebradas


Os estudantes surdos da UFCA mesmo tendo interações com os alunos do curso de libras ainda se vê uma grande dificuldade comunicacional com os demais alunos de outros cursos, mas fora da universidade eles ainda tem muitas barreiras a serem quebradas, pois a maioria não sabe a língua de sinais, em seu ambiente de interações os familiares e amigos aprendem o básico para se comunicar, mas fora desse círculo a dificuldade é muito visível.


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Foto por Carla Sousa


É importante que os docentes e a instituição de ensino superior sejam preparados para receber o aluno com deficiência, tendo formação de qualidade, conhecimentos especializados e uma mudança de visão quanto à aceitação das diferenças. Dentro da universidade o obstáculo é a comunicação, visto que muitos não sabem libras e a única alternativa é usar o papel para se comunicar. Diz a aluna Júlia do segundo semestre do curso de letras/libras da UFCA “Aqui dentro da universidade o problema é a comunicação, eles não sabem línguas de sinais e a alternativa é o papel, sempre tendo que escrever para se comunicar”.


Alunos surdos, mesmo que interajam com eles mesmos, ainda se vêem excluídos, não só pelos outros estudantes, mas também pelos profissionais que fazem parte desse núcleo estudantil. Portanto, esses funcionários não sabendo o básico na língua brasileira de sinais, faz com que, não propositalmente, os alunos surdos se sintam excluídos, podendo se tornar algo a ser pautado pela reitoria para que eles pudessem entender os alunos surdos, promovendo a inclusão e mitigar essa mazela comunicacional.


Julia ainda relata:

“Eu me sinto excluída, porque seria bom se esses profissionais soubessem libras, para ter um atendimento em libras, seria melhor se eles fizessem isso, mas já está no histórico, já estou acostumada com essas barreiras.”


Algo que a universidade poderia fazer para que essa barreira na comunicação fosse quebrada, seria a implementação de projetos ou uma extensão básica, que despertasse nos demais alunos e funcionários ouvintes, um interesse na aprendizagem da língua de sinais, e que esse impasse no processo comunicacional não fosse tão visível como é atualmente.


Para dar início a esse processo de aprendizagem e disseminar o ensinamento de libras, confira o vídeo abaixo da aluna Julia Andrade do curso de letras/libras da Universidade Federal do Cariri (UFCA).

Vídeo por Carla Sousa





 
 
 

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