A longa espera e os problemas do Hospital Infantil Maria Amélia
- Evellen Rodrigues
- 1 de jul. de 2022
- 4 min de leitura
Em maio de 2021 foram retomadas as obras do Hospital Infantil Maria
Amélia, popularmente chamado de “Pisique”. O projeto que se iniciou em junho de 2018 está sendo feito por meio de uma parceria entre a prefeitura de Juazeiro do Norte e o governo do Estado do Ceará. A paralisação da obra durou quase dois anos e foi causada por uma série de fatores tanto por problemas estruturais do antigo projeto quanto pela troca de gestão de prefeito em 2021 e, finalmente, pela pandemia do Covid-19 em 2020.
Durante o seu funcionamento no antigo prédio, o Maria Amélia era referência na região atendendo também municípios circunvizinhos de Juazeiro do Norte. A demora na finalização e entrega desta obra, que já dura quatro anos, atinge diretamente a população caririense, que está esperando o novo prazo de reinauguração marcado para o mês de novembro de 2022, segundo promessa do poder público.

Inicialmente, o projeto da obra tinha um orçamento de R$ 4,5 milhões e o prazo de conclusão era de dezoito meses. Entretanto, os imprevistos surgidos foram além dos imaginados, como disse a secretária de saúde Francimones Albuquerque:
“Os imprevistos foram muito além, nós (atual gestão da secretaria de saúde) ainda conseguimos tirar muitas inconformidades do antigo projeto. A caixa d’ água que agora se encontra lá, não estava prevista no projeto. Como um hospital não tem caixa d’ água? Como um hospital não tem projeto elétrico? Como um hospital não tem um projeto de corpo de bombeiros? Nada disto estava previsto, tudo foi incluído”.
Francimones ainda afirma que mesmo depois das melhorias, o projeto ainda será entregue com algumas falhas, como o muro do antigo prédio, que se localiza atrás do hospital e se aproxima das casas. Ele não pode entrar no mapeamento dos engenheiros devido a falta de aditivos da gestão. “Quando for entregue a parte final e vocês tiverem a oportunidade de visitar, verão que ele encosta em algumas casas. Nesse caso teríamos que fazer uma proteção para as casas, mas eu não tenho mais como colocar no projeto vigente. Terei que esperar concluir a obra, fazer um novo projeto para poder terminar”, afirma a secretária.
Foto: Klébia Souza - 2022
A obra, que iniciou com um orçamento de R$ 4,5 milhões, ao ser retomada em 2021, ultrapassou a faixa de R$ 5,5 milhões e o governo ainda precisou pagar outros gastos pendentes à empresa de engenharia Andaluz, que havia iniciado as obras em 2018. Após esses pagamentos, a obra foi reiniciada.

Contudo a questão dos aditivos é algo que permanece, pois mesmo após a entrega do hospital, não há certeza de seu funcionamento pleno em curto prazo. Entre os problemas estão a entrega de leitos e demanda de médicos pediatras.
Implantação no Estephânia
Ainda em 2018, quando a obra se iniciou, os médicos que trabalhavam no Maria Amélia foram remanejados para o Hospital Estephânia Rocha Lima, que se encontra na rua São Pedro e bem próximo do outro. Contudo, esse hospital não era estruturado para a pediatria e precisou passar por adequação rápida naquele mesmo mês, para receber a nova demanda. A implantação do Maria Amélia no Estephânia permanece em funcionamento até hoje, e os atendimentos ocorrem na parte superior do prédio.
A estrutura que a pediatria tem e a atenção que recebe lá é melhor do que a que recebia no antigo prédio. Uma das mães, que não quis se identificar, relembrou como era a situação no antigo hospital: “Houve um tempo em que chegávamos lá e era muito difícil. A estrutura não ajudava porque não havia quartos suficientes e não havia o conforto certo para as mães também. Para passar a noite era difícil para a mãe e o bebê, porque tínhamos que levar até o lençol das camas”.
Mesmo que a implantação esteja funcionando bem e aparentemente melhor do que a antiga administração, a necessidade de um hospital pediátrico se mostra urgente, principalmente após as consequências do Covid-19. Mara, uma mãe com criança de colo que mora próximo ao hospital, destaca a dificuldade de não ter um hospital e maternidade que atende de forma adequada as crianças: “É horrível porque nós vamos para todos os lados e não conseguimos nada. Agora eu estou indo atrás da vacina dele e está tendo lá, mas tenho medo de levar ele lá pelas novas gripes”.
Porque afinal, mesmo tendo um setor para atender a pediatria, o acesso a essa parte do hospital está localizada no piso superior, sendo necessário que as mães atravessem o prédio com suas crianças entre os outros pacientes portadores de variados problemas de saúde.
Foto: Klébia Souza - 2022
O risco de contágio do covid-19 tem sido o principal medo da população em geral, e não é diferente com estas mães que buscam atendimentos para seus filhos, toda esta exposição das crianças, é um risco que poderia ser evitado, se os atendimentos já estivessem acontecendo no prédio reformado.
Estádio começou depois e ficou pronto antes
A reforma e ampliação do Estádio Mauro Sampaio, o Romeirão, teve início no ano de 2019, um ano após o início da reforma e ampliação do Hospital Infantil Maria Amélia Bezerra de Menezes (Pisique), com obras, recursos financeiros e prazos distintos, mas com cidade e Estado semelhantes. Enquanto a arena Romeirão já foi inaugurada e recebe jogos, o hospital segue em reforma, mesmo que a obra do estádio seja mais complexa do que a do hospital.
Fotos: Pedro Uchôa e Klébia Souza - 2022
A ausência do repasse de verbas por parte da Secretaria Estadual de Saúde (SESA) durante todo o ano de 2019 foi um dos impedimentos para a continuidade da obra de reforma e ampliação do Maria Amélia, que resultou na prorrogação do prazo para a execução. Logo, a unidade que deve ser referência em pediatria para a região do Cariri continua em obras. Construção esta que é extremamente necessária para a população que necessita do acesso à saúde pública infantil, de qualidade e acessível para todos, visto que o município não pode só ostentar a arena.
Texto:
Antônia Clarícia
Evellen Rodrigues
Klébia Souza
Maria Clara Moreira
Apuração:
Klébia Souza
Maria Clara Moreira
Fotos:
Klébia Souza
























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